Ativista congolesa usa a tecnologia para unir mulheres rumo ao progresso


De acordo com a ONU, a República Democrática do Congo é um dos países mais perigosos do mundo1 para as mulheres. As meninas são levadas a se casar muito jovens, e as mulheres são vítimas da violência doméstica endêmica e contam com pouca proteção legal. Além disso, a educação formal é muitas vezes deixada de lado.

Neema Namadamu nasceu no vilarejo rural de Itwombe, na República Democrática do Congo. Sem acesso a vacinas modernas, ela contraiu poliomielite aos dois anos de idade. Com a deficiência física decorrente da doença, Neema não poderia se casar, de acordo com a tribo. Isso permitiu que ela se concentrasse nos estudos e escapasse do ciclo de vida típico das mulheres na zona rural do país.

Depois de se formar na universidade e construir uma carreira, Neema voltou à província natal com uma nova paixão pelo ativismo e a determinação de usar o que aprendeu para trazer mudanças à região. Acima de tudo, ela acreditava que o acesso a informação poderia despertar a curiosidade da comunidade e capacitar as mulheres a construir o próprio futuro.

Apenas 3,9% da população da República Democrática do Congo tem acesso à Internet. Neema estima que a grande maioria desses usuários são homens.

Em 2012, Neema abriu o Maman Shujaa Media Center, um centro de computação que oferece aulas gratuitas de alfabetização digital às mulheres. Atualmente, o centro serve como ponto de encontro e espaço seguro para mulheres e meninas aprenderem mais sobre o mundo. Para muitas, esse é o primeiro contato com a Pesquisa Google. Essa comunidade feminina trabalha em conjunto para encontrar respostas, oferecer apoio e construir um futuro melhor em que todas as mulheres tenham acesso às oportunidades que Neema teve. Nos últimos cinco anos, milhares de mulheres passaram pelas portas do Maman Shujaa e tiveram jornadas incríveis. Estas são apenas algumas das muitas histórias.

Como descrever a expansão do seu conhecimento a algo que você nunca imaginou? Quando as mulheres chegam ao centro, elas se sentam em frente a um computador e viajam pelo mundo sem sair do lugar. A Internet abriu as portas para um mundo que elas não imaginavam existir. Com apenas alguns toques, elas têm acesso a informações que nunca tiveram a oportunidade de conhecer.

Dois anos atrás, trabalhando como mecânica em uma oficina automotiva, Princesse Malembro observou algumas mulheres entrando no escritório que ficava no andar acima do espaço de trabalho dela: o centro Maman Shujaa. Ela começou a fazer aulas depois do trabalho (ainda de uniforme) para encontrar vídeos e artigos relacionados a mecânica na Pesquisa Google para estar à frente dos colegas na oficina.

Não vou mudar o mundo todo, mas me concentro na minha aldeia, na minha comunidade. Abri o centro para ajudar as pessoas a conhecer o mundo. (Neema Namadamu)

As mulheres vêm ao centro com perguntas diferentes. Algumas buscam algo sobre moda ou máquinas de costura. Outras querem descobrir como receber bolsas de estudos, cozinhar melhor ou procurar um emprego on-line. Cada uma tem necessidades próprias.

Pessoas como Djamila Ibrahim

Em busca de uma bolsa de estudos ouvia com frequência uma vizinha sendo abusada pelo marido. Essa experiência a motivou a querer ajudar as mulheres que sofrem injustiças. No entanto, ela não tinha meios para estudar após o ensino médio. Depois que uma amiga a apresentou a Neema e ao centro Maman Shujaa, Djamila usou a Pesquisa Google para encontrar uma bolsa de estudos e cursar a faculdade de direito, assim como muitas mulheres no centro que querem avançar nos estudos.

O sonho de Neema é de abrir mais centros na República Democrática do Congo, para que mais mulheres tenham acesso a conhecimento e oportunidades. Mulheres como Neema, Princesse, Clementine, Djamila e Riziki se reúnem no centro Maman Shujaa e formam uma comunidade com sede de aprender, que trabalha para alcançar seus objetivos, sempre apoiando umas às outras.

Mulheres, nós somos as mães desta nação e deste planeta. Vocês compartilham tudo que têm: o amor, o conhecimento, as oportunidades e os desafios. Ao compartilhar, podemos levar mudanças a todos os seres humanos.

Pesquisa da Thompson Reuters Foundation, junho de 2018

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