MP apura denúncia de intolerância religiosa de homem que critica escultura de Mãe Stella

Vídeo postado em rede social na terça-feira, mesmo dia da inauguração, em Salvador, da obra que homenageia memória da mãe de santo, mulher, sacerdotisa e conhecedora dos cultos e tradições do candomblé. 

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) informou, nesta quarta-feira (10) que instaurou um procedimento para apurar denúncias de intolerância religiosa contra um homem que aparece em um vídeo criticando a instalação, em Salvador, de esculturas do orixá Oxóssi e de Mãe Stella, uma das principais ialorixás do país, que morreu em dezembro de 2018.

As esculturas, instaladas no início da Avenida Mãe Stella de Oxóssi, via que liga a Av. Paralela à orla do bairro de Stella Maris, foram inauguradas na terça-feira (9). A obra, do escultor Tatti Moreno, é uma homenagem à memória da mãe de santo, mulher, escritora, sacerdotisa e conhecedora dos cultos e tradições do candomblé.

O vídeo foi postado no Facebook, na terça-feira, por um homem que se apresenta como "Diogo Nöbre" — em outras postagens na mesma rede social, ele aparece pregando em igrejas evangélicas e dentro de coletivos.

Na gravação, feita no local onde foram instaladas as esculturas, o homem, que informa ser morador de Salvador, lê trechos da bíblia e diz que Deus ficou "irado" com a inauguração obra. Até o meio da tarde desta quarta, o vídeo já contabilizada 36 mil visualizações.

"Deus está irado, queridos. Eu estava buscando a presença de Deus e eu consegui sentir a ira de Deus. Deus estava dizendo: 'Eu vou balançar a cidade de Salvador. Eu vou balançar, aleluia, as lideranças de Salvador. Eu vou sacudir as lideranças de Salvador'", afirma o rapaz, no vídeo.

"Queridos, a ira de Deus está sobre a terra. Deus está esperando mudança e transformação do seu povo. Deus está procurando o povo unido. É tempo da igreja se unir. Enquanto a briga, a contenta, a divisão entra no meio da igreja, o diabo, o reino das trevas, acha espaço para isso aí", afirma, apontando para as esculturas.

Várias pessoas comentaram no post e acusaram o homem de intolerância religiosa. "É crime", escreveu um internauta. "Sou evangélica, e ainda bem que não me enquadro ao perfil de 'crentes' como esse. Aprendi desde criança a respeitar todas as religiões. Tenho amigos católicos, do candomblé e quem não crer em nada. E ainda assim amo cada um deles", comentou outro.

O Ministério Público informou que, em razão de estar em fase inicial de apuração, por enquanto, não haverá entrevista sobre o caso.

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